Marta Peral Ribeiro
(Consultora de Comunicação)

A mais recente versão para mobile do feed do Google apresenta-nos conteúdos personalizados de temas que nos interessam mesmo antes de fazermos a pesquisa na página inicial. O feed está de facto, mais do que nunca, próximo dos feeds das principais redes sociais. Porém, em vez de seguir pessoas, o utilizador segue tópicos à sua medida (leia-se: do seu interesse). Dê as boas-vindas ao Discover. Ou melhor: o Discover dá-lhe as boas-vindas!

Marta Peral Ribeiro
(Consultora de Comunicação)

A mais recente versão para mobile do feed do Google apresenta-nos conteúdos personalizados de temas que nos interessam mesmo antes de fazermos a pesquisa na página inicial. O feed está de facto, mais do que nunca, próximo dos feeds das principais redes sociais. Porém, em vez de seguir pessoas, o utilizador segue tópicos à sua medida (leia-se: do seu interesse). Dê as boas-vindas ao Discover. Ou melhor: o Discover dá-lhe as boas-vindas!

Não perguntou, mas o Discover responde-lhe à mesma

Até há algum tempo, o Google limitava-se a apresentar-nos os resultados para a pesquisa que escrevíamos na página inicial. Agora existe o Discover, que surge logo abaixo do campo de pesquisa e nos apresenta recomendações baseadas nos nossos interesses sobre determinados tópicos. Como diz a própria Google: “O Discover é único porque está um passo à frente: ajuda a encontrar o que você nem começou a procurar.”

Não só podem surgir imagens sobre os temas como também podem ser-nos sugeridos vídeos e atalhos para notícias. Ou seja, existe uma forte componente visual e isso capta imediatamente a nossa atenção, facilitando a interação.

Como é que o Discover sabe o que lhe interessa?

Sem grandes surpresas, a Google rastreia as interações que o utilizador faz no dispositivo através de inteligência artificial, seja na web seja nas aplicações. Por outras palavras, baseia-se no tipo de navegação que faz, cookies, histórico e configurações de localização e dados de contacto.

Para além disso, o próprio utilizador pode demonstrar conscientemente o que lhe interessa ao seguir determinado tópico, e se quer aprofundar ainda mais esse interesse (selecionando «mais» ou «menos»).

google discover

Então, mas o feed anterior não era mais ou menos assim, já?

No geral, sim. Mas agora, para além do nome, o novo feed tem também um aspeto mais apelativo, com cabeçalhos que indicam o tópico e um ícone para “explorar”.

Topic Feed

A partir daqui pode “Seguir” o tema que lhe interessa, seja de forma mais superficial ou mais aprofundada. Lá está, aqui não segue um amigo mas sim um interesse – e assim mantém-se permanentemente atualizado sobre o tema.

Entretanto, como já referimos, também é de longe mais interessante agora, com tópicos específicos para si e de acordo com o seu nível de interesse (e até de entendimento), do que quando mostrava apenas notícias ou tendências.

Aliás, até nesse ponto é mais abrangente: ao passo que o Google News admite determinada informação/artigo conquanto cumpra certos requisitos, o Discover estende-se para além deles.

 

O que dizer sobre o(s) Discover Ads?

É um dos aspetos badalados deste recente feed (ainda que as novidades por parte da Google sejam discretas, curiosamente): existem anúncios que surgem em carrossel, deslizando-se imagem por imagem na horizontal, o que é aliciante para muitas marcas que pretendem obter mais visibilidade.

E esta publicidade extrapola o Discover: os anúncios circulam também na página inicial do Youtube e também no Gmail.

Vantagens para os anunciantes

Como o Discover assenta fortemente na imagem, uma das vantagens para as empresas é que podem redirecionar a campanha, usando peças já criadas nas suas redes sociais. Pode surgir a necessidade de reajustar o formato das imagens, por exemplo. Seja como for, o importante é manter a coerência entre as plataformas.

De certa maneira, o utilizador tem uma experiência semelhante à que tem, por exemplo, no facebook com os anúncios apresentados numa única imagem ou em carrossel. Esta experiência torna a interação muito mais dinâmica e interessante. Já aqui falámos sobre a ligação entre as redes sociais e a sua capacidade de transformar utilizadores em potenciais clientes.

Não há bela sem senão: a limitação do Discover

Neste caso, há dois.

Por um lado, como os anúncios são exibidos automaticamente, o anunciante não consegue distinguir que anúncios é que vão apenas para o feed. Ou seja, dentro da mescla de anúncios exibidos em diferentes plataformas (Discover, Youtube, Gmail), como é que eu, enquanto anunciante, consigo perceber o que vai apenas para o feed do Discover? Por outro lado, o anunciante não consegue aferir o grau de visibilidade dos seus anúncios.

No entanto, como os resultados têm sido positivos, muitos anunciantes mantêm a aposta no Discover, acompanhando o seu desempenho. Ou seja, através de Google Analytics podem ir vendo o caminho feito pelo utilizador e ver se se traduz num novo cliente.

Na perspetiva do utilizador, podemos referir que, no que a notícias diz respeito, a questão do «conteúdo personalizado» não se aplica tanto, dado que a tecnologia usada pelo Google Discover é a mesma do Google News, apesar de ter menos requisitos.

O Discover veio para ficar?

Para já, ainda é cedo para aferir o potencial deste recente feed do Google, disponível ainda na versão beta. Além disso, dado que o tráfego flutua entre diferentes plataformas (Discover, Youtube, Gmail), torna-se pouco claro para as empresas o alcance das campanhas dentro deste segmento.

Uma coisa é certa: apesar das atuais limitações de controlo, o Discover tem-se revelado um excelente veículo de publicidade no qual tem valido a pena investir. Afinal, este feed é um canal de alto volume e baixo CPC (cost per click), o que representa um benefício extra para as marcas, que assim vão ganhando (re)conhecimento.

Se ainda tiver dúvidas se os utilizadores apreciam o Discover: sim. 800 milhões de utilizadores por mês usam este feed.

Por falar nisso… se ainda não sabe qual será a sua próxima pergunta para o Google, não se preocupe: o Discover vai mostrar-lhe o caminho até lá chegar. E assim vai a tecnologia reinventando a humanidade.

Conte connosco para manter o seu negócio a par da tecnologia!