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Ana Mendonça Morais
– Marketing & Communication Strategist –

Será a voz o futuro da tecnologia?

Sejamos sinceros: ninguém sabe onde é que a tecnologia vai parar. Se por um lado há projetos que tardam em chegar, como é o exemplo dos carros voadores (que se acreditava vir a ser o meio de transporte do futuro, já para o séc. XXI), há outros que se concretizam com um sucesso tal que chega a ser quase inacreditável, como a chegada do Homem à Lua.

Portanto, como prever o futuro da tecnologia e o próximo grande passo? A resposta pode ser mais fácil do que parece: voltando um pouco às origens. Mais especificamente, voltando ao uso da voz.

Ana Mendonça Morais
– Marketing & Communication Strategist –

Será a voz o futuro da tecnologia?

Sejamos sinceros: ninguém sabe onde é que a tecnologia vai parar. Se por um lado há projetos que tardam em chegar, como é o exemplo dos carros voadores (que se acreditava vir a ser o meio de transporte do futuro, já para o séc. XXI), há outros que se concretizam com um sucesso tal que chega a ser quase inacreditável, como a chegada do Homem à Lua.

Portanto, como prever o futuro da tecnologia e o próximo grande passo? A resposta pode ser mais fácil do que parece: voltando um pouco às origens. Mais especificamente, voltando ao uso da voz.

A simplicidade da voz na complexidade da tecnologia

Podemos facilmente questionar como é que algo tão básico e orgânico tem assim tanta relevância para o desenvolvimento tecnológico. Mas não nos podemos esquecer que o principal propósito da tecnologia é – ou deveria ser – facilitar os processos que nos rodeiam e ajudar-nos a evoluir de alguma forma. Por isso, porque não simplificar a sua utilização recorrendo a algo que está ao alcance de (quase) todos nós?

A verdade é que, nos últimos anos, a voz tem ocupado um espaço cada vez maior em novos produtos tecnológicos. Especialmente os desenvolvidos por grandes empresas, como a Amazon, a Apple ou a Google. Podemos quase dizer que, quem não conhece a Siri ou a Alexa, está de alguma forma alienado da realidade tecnológica atual. Coisas simples, como configurar o temporizador do telemóvel ou acender e desligar as luzes em casa, tornam-se ainda mais fáceis com um simples comando de voz. Conforto, praticidade, preguiça… podemos chamar-lhe o que quisermos. Mas que a sua utilização tem sido crescente, isso não há como negar.

O impacto da voz na tecnologia atual

(…) já não daremos tanta a importância às sugestões rápidas de pesquisa enquanto escrevemos num motor de pesquisa porque não precisamos sequer de escrever.

Há quem defenda que, muito em breve, cerca de metade das pesquisas – ou mais – serão feitas por voz. O que diz muito sobre os comportamentos dos consumidores e o tipo de produtos que procuram ter. Muito possivelmente, todo o investimento feito até agora pelos colossos tecnológicos no desenvolvimento de programas, apps e afins terá de ser repensado. Se o caminho é o da voz, há muito a ser alterado. Por exemplo, já não daremos tanta a importância às sugestões rápidas de pesquisa enquanto escrevemos num motor de pesquisa porque não precisamos sequer de escrever.

O interessante é perceber que estas inovações tecnológicas quase se atropelam. Porque, enquanto se aposta em aprimorar o que já existe e em entregar um produto final que responde a todas as nossas necessidades, aposta-se também em criar (ou despertar) novas necessidades.

A verdade é que a voz é-nos familiar e, ao recorrermos a produtos que a integram, criamos uma maior afinidade e conforto na utilização da tecnologia. Criamos uma ligação quase emocional pois, bem ou mal, temos uma ajuda sempre disponível à distância de um comando de voz.

A voz como personagem principal de novos produtos tecnológicos

Esta é das primeiras empresas a explorar a tecnologia da voz nos jogos e foi isso que lhe valeu uma aposta tão grande por parte das gigantes tecnológicas.

Podcast artigo jellyNão podemos limitar a voz aos assistentes virtuais. Também os podcasts, por exemplo, têm tido um sucesso tremendo. São programas gravados geralmente em formato de áudio que se baseiam em dissertações opinativas, conversas ou discussões dos mais variados assuntos. E todos têm um elemento em comum: a voz.

Os podcasts são conteúdos a que o público pode aceder e consumir em qualquer momento de forma rápida, conveniente e, muitas vezes, em simultâneo com outras tarefas, como a condução, prática de exercício físico ou até tarefas domésticas, entre outras. Mais uma vez, vemos a voz a ganhar terreno e até novos negócios a surgirem baseados neste formato.

Doppio Para além dos podcasts, podemos acompanhar o desenvolvimento de outros produtos baseados em comandos de voz, como os jogos. Um bom exemplo disso é a Doppio, uma empresa sediada em Portugal que se foca no desenvolvimento de jogos controlados por voz. Em 2019, e com apenas um jogo lançado, esta empresa teve um financiamento de um milhão de euros por parte de empresas como a Amazon, a Google, a Portugal Ventures e a Busy Angels. Já lançaram o seu segundo jogo e ambos se focavam em histórias cativantes onde o jogador interage com as personagens através da voz. Esta é das primeiras empresas a explorar a tecnologia da voz nos jogos e foi isso que lhe valeu uma aposta tão grande por parte das gigantes tecnológicas.

(…) vamos afastar-nos cada vez mais das telas dos telemóveis para fazermos tudo através da voz e se este afastamento vai levar a uma maior (re)aproximação entre as pessoas (…)

Podemos concluir que a tecnologia está, de facto, a encontrar um novo caminho. Queremos ser cada vez mais impressionados pela simplicidade e praticidade das inovações. A tecnologia tem um papel cada vez mais integrado no nosso quotidiano e o próximo passo será passarmos o dia a conversar – mais especificamente a fazer pedidos / dar ordens – com dispositivos, sem termos de recorrer a comandos escritos ou de outro tipo.

Resta saber se vamos afastar-nos cada vez mais das telas dos telemóveis para fazermos tudo através da voz e se este afastamento vai levar a uma maior (re)aproximação entre as pessoas, ou se apenas substituiremos as telas por conversações com softwares responsivos.